Caçadora de sombras…
February 2nd, 2010Waiting…
January 26th, 2010SEIS JOANINHAS
January 18th, 2010Das seis joaninhas que viajaram
entre Gdynia e Klaipeda só duas
se salvaram. Apanhou-as um vendaval
de água doce. Debatiam-se, de costas.
Duas espernearam até morrer, duas
tombaram vencidas por uma tromba
de água, gota redonda em cheio
sobre o ventre preto. Das quatro
que morreram e depois desapareceram
na água salgada uma era muito estúpida
(num grupo é raro não haver gente
estúpida que pode até chegar a pôr
em perigo toda a gente): a dois
milímetros da zona seca, voltou
para trás, caiu de costas, debateu-se
(quinze minutos pareceram quinze
horas) e morreu. Assisti a tudo
sem poder ajudar. Já que não se pode
modificar a realidade, ao menos
se descreva o que se vê, diz Fassbinder.
Se não estou em erro é Fassbinder.
Uma Pausa pelos sobreviventes do Inferno no Haiti
January 14th, 2010Desire Under the Elms
January 13th, 2010Mariana
January 6th, 2010Wishes
December 23rd, 2009De bicicleta em direcção ao sol
December 15th, 2009Quando a tarde cai, aos tropeções,
do sol indiferente, resiste ainda
o corpo frio, a luz rebelde que vem
dos olhos a fingir ironias e desmandos.
Luz sincera e itinerante, à procura
de não se magoar, mesmo se rebenta
no tinteiro das emoções, na mão
discreta, na mais desprevenida mão
que ousa tocar o sol. Se é tarde,
e nada marca a sombra do alento,
que torpor define os ritmos, a rara,
feliz agonia das tardes libertas,
nesse tempo em que as cidades cantam
e se compõem para a festa? Não é
gradual o desgosto: os frutos ficam
podres devagar mas essa incandescência,
a que uns chamam por nomes estranhos:
a surpreendente paixão, amor cálido,
o desejo irresistível, esse movimento
incerto não cresce, não reduz o núcleo,
não simplifica o absurdo, é inexacta.
Que não restem surpresas. É tudo
muito evidente: no que se lê.
Manuel Fernando Gonçalves
As Escolhas de Mafalda I
November 25th, 2009As Escolhas De Mafalda II
November 25th, 2009Teresa
November 5th, 2009Palimpsesto
November 3rd, 2009Quando a noite agora cai,
não estendes os olhos para onde
as imagens se revoltam e fingem
ser a dor ou a alegria. É nesse subúrbio
que feres a decisão, e nem sempre
foi assim. Já com bons aparos tinhas dito
e definido a cor rubra dos lábios
de quem ousa sentir, o branco macilento
da alma dos que se perdem, o carmim
excessivo de todos os que urdiram
a glória por cima de desejos inquietos,
dos traumas cínicos. A história tinha,
pois, pernas para fugir e não fez questão.
Atrasou-se um pouco a trepar à paisagem,
mas cedo encontrou um rumo igual
a tantos outros: nem esperança a mais,
sequer fantasia muito trabalhada!
Havia uma serpente escondida na dobra
das camisas impecáveis. Esperava, fazia
de conta que o tempo era sempre aquele
momento, e não era?, contrariava os apuros
mais graves e bem entendia que o problema
era não vestires, tantas vezes como isso,
desse modo. Nunca se saberá o nome
da víbora sábia que incomoda os pássaros,
se confunde na aragem que os mata.
Dirás: o amor morreu, morreu o ciúme,
machos capazes de simbolizar este mundo
e o outro no tecido breve de grandes silêncios,
gargalhadas ruidosas. Quando a noite
agora cai, os teus olhos, cheios de veneno,
acomodam-se às asas, apressam as imagens
e desenham um mundo extraordinário.
Manuel Fernando Gonçalves










