TENSÃO ALTA

July 26th, 2010

Abri o coração como nunca
tinha aberto, duvido até que seja
o mesmo coração, a operação,
que a outra pessoa vê, é uma
espécie de transfusão. Coração
aceite em recíproca função
e em expressão válida, com muito
significado? Palpita-me que sim.
No fundo da língua de areia
já se avista um chapéu e um andar,
batem pés à medida do encontro
e parecem-se tanto como o bater
do coração. Para o mal e para o bem,
para o que der e vier, pões-me
a tensão muito alta felizmente.

A QUESTÃO QUE SE COLOCAVA

July 22nd, 2010

A questão que se colocava era saber
quem era eu para julgar os outros. O
próprio conceito de julgamento, desde
tempos imemoriais, tem muito
que se lhe diga. Quem escreve, oh,
há um poeta que escreve, visto do lado
de lá da janela, quem escreve acende
agora a luz de um candeeiro para ver
melhor. Mas nós sabemos que vai
continuar sem ver nada, às vezes sai
eufórico com uma verdade, coitado,
a verdade é tão evidente (no sentido
em que está mais do que sentida
e dita), que até parece mentira. Depois,
um som de asas vibrantes sacode
um sono sem sonhos nenhuns, e
de um salto põe novamente um aparo
em tinta, e volta à escrita muito antiga,
capaz de não julgar nada nem ninguém,
excepto o assassínio da consciência humana.

Anjo

July 17th, 2010

© mra 2010

Transformation

July 14th, 2010

Fifties

July 6th, 2010

Old type collection - © mra 2010

TRÊS POEMAS DO TABACO

June 18th, 2010

I
Puxo lume ao meu cigarro vivo,
na linguagem de outros o meu cigarro
está morto e sou eu que o avivo
quando vou com outros que fumam
a seguir à refeição, por fora da janela
da casa, porque é proibido fumar
lá dentro, as crianças, a posição
intransigente, tudo se organiza.
Compreende-se, treme a voz, e a mão
também, em sinais de afirmação
pelo correcto, aquilo em que a gente
acredita – e nós intrusos, tão perto
do amor infinito, reprodutor,
esperançoso, mesmo se a esperança
já não é a última coisa a morrer.

II
Não me atrevo, aqui, a fumar mais
do que um cigarro de marca, não
desfarei o cigarro de marca para outra
forma, um pouco tosca, porque feita
por mim, nem lhe acrescento nada
que possa prejudicar a minha saúde.
Isso fica para depois, no engano
do golpe regular, sonolento, capaz
de aforismos ainda mais pessimistas
que os de Cioran, e ditos a rir,
imagine-se, com total convicção.
Deus me perdoe pelo que vou
dizer. Fala, homem, diz lá. É
indecente fustigar cada fala
de um diálogo com um furor
químico, indolente, negro.

III
Um balão que rebentou por descuido
de um malabarista de cigarro aceso
na mão. Uma criança berrou
e outra criança, ali ao lado, não
deu por nada. E continuam a voar
muitos balões de muitas cores.
Realmente não consigo reduzir
só para dez, tem de ser abruptamente,
mas não pode ser muito bem pensado,
porque se eu me ponho a pensar
ainda chego à conclusão de que vai
tudo dar ao mesmo. Isto tudo
até parece que alguém, ou algo,
ou alguma coisa, um ser superior
que destruiu um ser inferior, atira
uns papéis à sorte e uns têm azar,
os outros ficam. Esta conversa merece
indiscutivelmente um cigarro.
Fumemos, pois.

Scooter da Maia

June 7th, 2010

(© mra)

Sarjeta…

June 3rd, 2010

© mra

Rubber Dolls

May 25th, 2010

Behind…

May 17th, 2010

© mra

Time - This is my end

May 12th, 2010


Be

May 4th, 2010

 © mra

QUANDO O MEU AMOR SAIU DE CASA

April 27th, 2010

Quando o meu amor saiu de casa
para voltar à sua casa, estava um dia
bonito, lá para o fim do dia eu iria
dar uma volta pelo paredão.

Conhecendo-me como me conhece
o meu amor duvidou, mas fingiu
muito bem e eu fiquei contente,
contente por mentir e por poder ir.

Sim, o meu coração extravasa
de razão, emoção e alegria.
Mando-lhe um poema retirado do dia
ainda nem chegou a S. João.

A vida nunca é o que parece.
Ao dizer isto sinto um calafrio,
porque a parte do meu corpo saliente
afinal não me deixa mentir.

Morreu-me entre as duas mãos o pássaro vadio (…)

April 26th, 2010

Lomo like, collection - © mra

Para o Helder

Les Blancs Save Pas Dancer

April 26th, 2010